Num quarto triste,
sempre com luz fraca ou tenebrosa,
tinha uma cama de solteiro em diagonal.
Na mesinha ao lado da porta,
papéis escritos, incenso e vela de velório.
No lado contrário, uma tela de pinturas
e um guarda-roupa grafite.
Neste imóvel havia fotos penduradas
e recortes de revistas pornográficas.
No pé da cama,
uma estante com livros e um som.
Mas parecia um lugar abandonado...
E naquele cenário,
um garoto era a peça principal.
Era magro, com traços negros e cor branca.
Seus olhos castanhos estavam vermelhos.
Seus cabelos... já não tinha mais cabelos.
Na mão esquerda, um litro de Vodka.
Na outra, uma gilete para se cortar,
e pintar o quadro com o sangue.
Sentado no chão, suava como um porco.
Mas isso lhe fazia bem,
pois, sofrendo pela dor física esquecia dos problemas.
Não obstante, quando acabou o masoquismo,
ele fechou os olhos.
Estava frio, fedendo vômito e encolhido
num canto de parede.
De repente, a luz acendeu – era sua mãe.
E um grito avisou a cidadezinha
que o garoto faleceu.
Hemorragia de sentimentos.
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