terça-feira, 28 de dezembro de 2010

HEMORRAGIA DE SENTIMENTOS

Num quarto triste,
sempre com luz fraca ou tenebrosa,
tinha uma cama de solteiro em diagonal.
Na mesinha ao lado da porta,
papéis escritos, incenso e vela de velório.
No lado contrário, uma tela de pinturas
e um guarda-roupa grafite.
Neste imóvel havia fotos penduradas
e recortes de revistas pornográficas.
No pé da cama,
uma estante com livros e um som.
Mas parecia um lugar abandonado...

E naquele cenário,
um garoto era a peça principal.
Era magro, com traços negros e cor branca.
Seus olhos castanhos estavam vermelhos.
Seus cabelos... já não tinha mais cabelos.
Na mão esquerda, um litro de Vodka.
Na outra, uma gilete para se cortar,
e pintar o quadro com o sangue.
Sentado no chão, suava como um porco.

Mas isso lhe fazia bem,
pois, sofrendo pela dor física esquecia dos problemas.
Não obstante, quando acabou o masoquismo,
ele fechou os olhos.
Estava frio, fedendo vômito e encolhido
num canto de parede.
De repente, a luz acendeu – era sua mãe.
E um grito avisou a cidadezinha
que o garoto faleceu.
Hemorragia de sentimentos.

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