terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Catarina

Bem à sombra de um umbuzeiro
Fica a dama Catarina
Com suas tranças de menina,
Vestido forrando o chão.

Dobra o olhar sobre as planícies
Como se fosse a cavalo
Conhecer o outro lado,
O outro lado que é do Sol.

Mesmo assim a estar ao Sol,
Lança o anzol à terra quente,
Se lançasse pelos olhos,
Tinha bem o que pescar.

É a dama Catarina,
Corpo e alma, deflorada.
Com idade pouco andada,
Quase idade pra casar.

Dama que comandará
Cada espaço da fazenda,
A cuidar dos bens dos filhos
Para sustentar família.

Expulsar os dons de Midas,
Dissolver os vãos corais,
Tanto acender castiçais
Às mais terríveis lembranças.

Brota, aos prantos, a esperança
De um dia se ver contente,
Bem à sombra de um umbuzeiro,
Com crianças a cantar:

"Viva a vida, Catarina,
Não te deixe amedrontar
Com as torturas deste mundo,
Com os imundos do lugar".

"Vem girar (girar, girar...).
Vem girar (girar, girar...).
Não te deixe amedrontar,
Não te deixe amedrontar".

Quando no final da tarde
Foi-se embora a Catarina,
Ia passando pela venda:
- só bebida pra rapaz.

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