terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fantasia à sombra da noite

Dorme na fria calmaria de minha alma,
como uma criança sem graça,
medrosa, bastarda.
Eu passo minha luz sobre teu corpo
e te esfrio contra o calor das ruas.

Quem sabe eu vele teu sono,
tocando no violão alguma canção
que envolva os teus pensamentos sonâmbulos
e te faça flutuar para o mundo dos mortos.

Dorme, criança triste.
Dorme sem fazer barulho maior que minha música.
Eu não vou te abandonar até amanhã,
também não vou te contar histórias de Peter Pan.

Quero despertar tua maldade,
jogar-te contra esse mundo que te faz sofrer,
para tirar um pouco do teu sangue fervente
e ofertá-lo ao anjo das sombras,
onde terei minha mais afortunada recompensa:
um lugar sagrado no inferno.

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