Eu poderia ser como um espelho mirando o céu,
e poderia ser uns milhares de cacos de vidro jogados ao chão.
e poderia ser uns milhares de cacos de vidro jogados ao chão.
Translúcido e rudimentar, eu poderia ser.
Poderia me banhar na dor da lágrima que rega a flor.
Eu seria breve como o beijo dos meus amores
e ralo como o sangue das minhas veias.
Braços cicatrizados e olhos sem retina, eu seria.
Eu seria breve em louvor ao deus que me quisesse ao seu lado.
Eu seria a vela que chora a parafina,
o seu líquido, quente e fúnebre.
E eu poderia beber o meu amor na boca de outra pessoa,
que não fosse aquela que tanto eu amara,
ignorando as bactérias do cuspe,
castigando a traição de todas as bocas,
para ser fiel ao eterno amor que só dura uma noite.
Eu poderia catar os meus vidros quebrados em miúdos,
cortando-me as mãos.
Poderia colocá-los como estrelinhas pejorativas no céu,
no inferno de todos os homens, masoquistas e ternos.
E eu seria a punição dos cegos,
os sussurros da víbora excitada com as nossas tristezas,
e que goza veneno sobre os lençóis de nossas camas.
Eu viveria séculos nessa tortura e nesse deleite de línguas.
Entregaria os meus sentimentos para a minha sombra,
na luz que se revela, afaga e acaba,
para morrer no escuro súbito, levando-a ao meu lado.
Poderia me banhar na dor da lágrima que rega a flor.
Eu seria breve como o beijo dos meus amores
e ralo como o sangue das minhas veias.
Braços cicatrizados e olhos sem retina, eu seria.
Eu seria breve em louvor ao deus que me quisesse ao seu lado.
Eu seria a vela que chora a parafina,
o seu líquido, quente e fúnebre.
E eu poderia beber o meu amor na boca de outra pessoa,
que não fosse aquela que tanto eu amara,
ignorando as bactérias do cuspe,
castigando a traição de todas as bocas,
para ser fiel ao eterno amor que só dura uma noite.
Eu poderia catar os meus vidros quebrados em miúdos,
cortando-me as mãos.
Poderia colocá-los como estrelinhas pejorativas no céu,
no inferno de todos os homens, masoquistas e ternos.
E eu seria a punição dos cegos,
os sussurros da víbora excitada com as nossas tristezas,
e que goza veneno sobre os lençóis de nossas camas.
Eu viveria séculos nessa tortura e nesse deleite de línguas.
Entregaria os meus sentimentos para a minha sombra,
na luz que se revela, afaga e acaba,
para morrer no escuro súbito, levando-a ao meu lado.
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