Os versos estão com seus arranjos
Sob a escuridão da noite,
Como estrelas escondidas nas nuvens
E entre grilos e lágrimas,
Provenientes da exaltação de um pobre compositor,
Imerso num caos de inspiração nenhuma.
Foi pela inaudita palavra que se fez presente,
Tão só e repentinamente,
A distração do tempo ralo numa fabricada composição,
Em corpo de um morto com o esqueleto ainda intacto,
E que talvez respire o turvo silêncio.
De cada nota em dor se tira um trago.
Mas a fugidia paisagem dos encantos amorosos,
Antes mesmo que se fechem os meus olhos,
Pereceu à mácula de uma célula bruta,
Por onde escorregam as vozes musicais desses versos.
E tudo o que me resta são as mãos do frio,
A solidão de uma carne que vegeta,
Tornando-me simplesmente um cão
Para as alucinações dos viajantes
E para a companhia dos mendigos da cidade.
Que vazio ser gente quando a vida se esgota na tristeza.