segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

À flor tatuada

Os versos estão guardados em segredo,
Na camada fria de um olhar de medo.

Eu nem sequer percebo
Que já me fogem pelos dedos,
Não me dou por mim.

Simplesmente assim:
Como uma noite escura a brilhar no fim.

Segredos que se perdem,
Mas ao raiar do sol, aparecem.
E vendo o meu rosto no espelho,
Busco um sentimento que me eleve.

Pequeno poeta das horas vadias,
Buscando se lançar aos caprichos da agonia,
De ser noite ou de ser dia,
E ao mesmo tempo se manter ileso,
Aos reveses da magia que é a poesia.
                                                                                                     (A flor tatuada / Paulo Vitor)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Profano

entra ano, sai ano
eu faço planos, me engano,
mas inda vou engatar
um verbo estranho
profano
pra alguém no céu me escutar.

se for preciso eu baixar
um outro santo, um demônio
pra mode Deus me escutar,
pode apostar que eu tô indo
bebendo do vinho tinto,
sangue de Cristo, oxalá.

que vai ter festa, presentes...?
vai ter é gente com fome
de ver a volta do homem
que prometeu retornar.

e no corpo de uma serpente
vai ter é gente contente
trazendo muita água ardente
quando essa reza acabar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O PREÇO





Os meus dedos ficaram congelados no corpo de uma mulher que eu encontrara numa rua, tragando um cigarro amarelo, soprando a fumaça para cima, com o seu poder de provocar o desejo masculino, através da boca venal. Parecia uma defunta viva, enterrada na satisfação do domínio sexual, caracterizado à imagem fútil a que se pretendia limpa. Seria limpa, talvez, se fosse aquela a sua realidade, o seu tipo verdadeiro, se ela tivesse gosto pelo que fazia. Mas deixava aparecer em meio ao mistério do seu rosto um olhar triste que a "vida" sequer tem pena. Era impressionante a forma como observava de uma esquina a outra, enquanto que naquela noite silenciosa não passava quase ninguém por ali. Quando eu dobrei uma rua e me deparei com a estátua dessa mulher, que me chamava sem me querer, eu me via na doida situação ao qual a gente se atira por fraqueza, como um prostituto, sem noção dos princípios. Mas que princípios equivalem ao gosto de uma noite fabricada de prazer? No momento presente não se pensa nessas coisas, apenas se vai ao encontro do desejo. Um prazer! Eu queria aquele corpo, e não me importava se ele tinha alma, ou se vegetava no sereno. Fui me aproximando, e olhava no fundo de seus olhos, esperando que ela me chamasse para si. Ela o fez, quando eu parei e perguntei por que estava parada numa rua escura sozinha. O que é um perigo, acrescentei. Ela sorriu. Depois, me pediu para que eu lhe pagasse uma bebida. Interessava-se, ao que parece, em saber se eu tinha dinheiro (tinha um sorriso que não era de alegria). Mas fomos ao bar que ficava a duas quadras dalí. Ela já me tocava, sem sequer me conhecer. Parece que o seu cigarro tinha alguma composição que abrangia sua mente á fantasia. E eu estava quase a abraçá-la no intuito de tascar-lhe um beijo. Era tanta a sedução, que eu não resisti. Puxei sua língua para minha boca, que continha um gosto amargo. É que fazia algum tempo que eu não sentia o calor de uma mulher. Mas esse era um calor-frio. Nem sei como explicar... Depois de bebermos bastante na venda, saímos de lá, titubeantes, noite adentro, até encontrarmos um lugar sossegado, onde nos entregamos – eu pelo prazer, e ela por algo que eu não sabia, ao certo, o que era. Quando acabamos a transa, eu ia saindo, abotoando a calça. Daí, ela me chamou: - são 50 reais.

Relatando sinais



Eu andava pelos sinais,
olhava para um lado e para o outro,
e me sentia um louco,
a ponto de sair correndo, pegar um arco-íris
e me jogar no sol,
para derreter aquelas luzes de tonalidades
em verde, amarelo e vermelho,
impregnadas em minha mente.

A cidade era um verdadeiro caos,
todo mundo correndo em direções contrárias,
quando sequer sabem exatamente porque se comportam assim,
apenas com a certeza de que assim é que tem que ser,
para não ficarem no meio do caminho.
E, por um instante, pensei em ficar como uma pedra naquela rua,
no intuito de atrapalhar o andamento da engrenagem
mesmo sabendo que sim,
que eles seriam loucos o bastante para me atropelar,
sendo que não atropelariam uma pedra qualquer
que danificasse os seus carros.

Talvez chamassem os policiais,
que me levariam para qualquer lugar,
tirariam minha roupa, dariam uma coça de cassetete,
abusariam do dever, me fazendo até mesmo chupar a rola de cada um deles,
e me obrigariam a ficar calado sob ameaça de morte.

E continuamos no sinal... a esperar.

Negativismo

Chorar à falta de um sentimento,
Chorar sem ter discernimento,
De quê, pra quê, por que chorar.
Porque agora o que estou vendo,
É o sol na mão e o sol fervendo,
O povo aqui se derretendo,
E a chapa nada de esquentar.
Sinto dizer ainda o que estou vendo,
Se a luz do céu é ao mesmo tempo
O tal clarão que me cegou,
Quase o inferno a se mostrar com seu calor.
Choro, mas é o suor me escorrendo
Por um cantinho, é o olho ardendo,
Sem nada belo a vislumbrar.
Choro, mas é que a planta está morrendo,
Quem sabe eu possa lhe regar.

B.O.



Sigo à procura de um paraíso,
Que me inspire à liberdade que preciso,
Que não tem preço nem Piso,
E nenhum governo a enganar
Cada pessoa desse lugar.

Até passei por mil conflitos
Quis ser rebelde e me vingar
Daquele dia tal
Em que o Dia amanheceu solar
Porém, o BO quebrou o astral.

Que Diabo!

Eles eram cavalheiros negros
Jogando com as peças de sal,

Era na terra colonial
E o meu “pretinho” pegou mal.

Depois de face ao perigo
Eu vi que não estava só,
Porque para cada um de nós
Que se interage com a luz
O paraíso se faz jus. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

(...)

Eles vão entrar em sua casa,
vão lhe viciar,
vão lhe deixar apaixonada,
mas não vão lhe amar.


Porém, você não faz nada
porque está embriagada
sem poder pensar
sem poder sonhar
sem poder nada!


Eles vão roubar os seus filhos,
você nem vai perceber,
porque está apaixonada frente a TV,


Que não lhe diz nada
do que se possa crer;
é só mais uma arma apontada
pra você.